quarta-feira, 11 de maio de 2011

está tudo planejado:
se amanhã o dia for cinzento,
se houver chuva
se houver vento,
ou se eu estiver cansado
dessa antiga melancolia
cinza fria
sobre as coisas
conhecidas pela casa
a mesa posta
e gasta
está tudo planejado
apago as luzes, no escuro
e abro o gás
de-fi-ni-ti-va-men-te
ou então
visto minhas calças vermelhas
e procuro uma festa
onde possa dançar rock
até cair

terça-feira, 10 de maio de 2011

libidinosa

quando morava com meus pais meus horários eram muito restritos. eles sempre foram mais rigorosos comigo do que com meus irmãos, e mesmo depois de quase três anos morando separados da filha problemática, ainda são.
foi em uma dessas noites em que eu tinha que voltar antes das dez horas da noite que a Vanessa apareceu no meu portão. minha mãe não gostava dela, já tinha percebido que era uma das minhas amigas lésbicas. não sei que já tinha percebido é que dávamos uns amassos sempre que nos víamos.
tínhamos menos de 18 anos e muito pouco juízo, como já era de se esperar.
Vanessa me chamou para uma reuniãozinha na casa da Gislaine, uma amiga do colégio. pra beber um pouco e conversar. eu sabia a real intenção por trás daquilo e aceitei. inventei uma desculpa qualquer pra minha mãe e fui com ela.
já no meio do caminho nos agarramos como sabia que ia acontecer. chegando lá vi que só tinha cerveja, que é a única bebida que eu não tomo. e maconha, que eu não uso. tinha um amigo gay delas, o Fernando, e ele já estava muito alterado. normalmente eu acharia aquilo horrível e ia de volta correndo pra casa, mas naquele dia eu achava tudo muito divertido.
levei Vanessa pro quarto da Gislaine e fizemos tudo o que estávamos acostumadas a fazer.
depois o Fernando, muito mais chapado do que já estava, chegou andando de salto alto e falando coisas sem sentido. eu era a única sem usar droga ou álcool, e era a que mais me divertia, falava coisas engraçadas, ria de tudo. eles pediam para ver meu sutiã e eu mostrava, me exibindo, deixando que eles pegassem onde quisessem.
- me dá um beijo? a Alice era tão apaixonada por você e vivia falando desse beijo gostoso, quero saber como é. - me pediu o Fernando. Alice era uma ex-namorada que fez parte da minha vida de um jeito muito bonito. o comentário só me causou mais euforia, alimentou meu ego, aumentou minha libido já exagerada. e então eu o agarrei e beijei com voracidade. ele era gay e aquilo não fazia o menor sentido.

em outro episódio Gislaine e eu já havíamos ficado juntas, no banheiro de um shopping, durante uma parada gay. eu namorava com Alice e ela me esperava do lado de fora do banheiro. também não tinha bebido nada, e era completamente apaixonada pela minha ex-namorada.

e sobre namoros apaixonados houve o Pedro que foi a maior perda da minha vida. ele apareceu em meio ao meu caos. e, como não poderia deixar de ser, foi consumido por ele.
em uma das noites em que eu o arrastava para meus programas malucos, estávamos bebendo com um grupo de gays e minha amiga Jenifer. de lá decidimos ir todos para a casa do Rodrigo, um dos amigos gays da turma. compramos mais bebidas e fomos. um dos caras, o Junior, era muito lindo e Jenifer e eu brincávamos de seduzí-lo, óbvio, sem sucesso. ele nunca havia ficado com mulher na vida inteira.
chegando na casa do Rodrigo já estávamos todos bêbados. Jenifer se atracou com um dos meninos que era na verdade bissexual. e eu já tinha um quarto reservado pra mais tarde com o Pedro. Rodrigo era muito parceiro quando o assunto era sexo.
em algum momento Junior e Jenifer me chamaram para ir ao banheiro fazer xixi. essas coisas que meninas e gays fazem juntos. enquanto ele fazia xixi sentado, Jenifer e eu nos provocávamos.
- se vocês se beijarem eu beijo vocês. - ele sabia que estávamos mesmo afim de beijá-lo. - nunca vi duas mulheres tão bonitas assim se beijando.
não precisou pedir duas vezes, claro. nos agarramos e ele soltou gritinhos histéricos. até que de repente senti uma encoxada e uma pegada tão certeira que eu jamais diria que ele nunca tinha tocado o corpo de uma mulher antes.
descíamos para a sala e ficávamos com nossos respectivos pares, e toda hora estávamos os três nos atracando no banheiro novamente. quando começaram a desconfiar de alguma coisa, fingimos que o Junior estava passando mal e estávamos cuidando dele.
terminei a noite no quarto com o Pedro.


não sei se sou o tipo de pessoa que pode ser considerada promíscua. hoje sei exatamente o que me levou a fazer essas coisas e tantas outras, o que deixava a minha libido descontrolada, meu senso crítico sem nenhuma noção e minha impulsividade comandando tudo no meu corpo.
provavelmente todo mundo que ler isso vai me olhar diferente. e não é nem o começo do que aconteceu na minha vida sexual convivendo com a hipomania e seus exageros.
o que eu quero dizer com tudo isso é que perder o controle não só é pular de um penhasco ou tomar uma dose fatal de veneno, não é só ir parar numa enfermaria de hospital psiquiátrico e tomar sedativos ou choques. perder o controle é despersonalizar-se, deixar que qualquer coisa que é só uma parte de você passe a ser o seu todo e te faça tomar decisões impensadas que mudam todo o curso da sua vida.
eu não me viciei em drogas, não peguei nenhuma DST e nem engravidei. por sorte, por Deus, por um piscar de olhos, talvez. mas perdi tantas coisas que são imensuráveis, incalculáveis... e imperdoáveis.


(...)
Eu adoro todas as coisas
E o meu coração é um albergue aberto toda a noite.
Tenho pela vida um interesse ávido
Que busca compreendê-la sentindo-a muito.
Amo tudo, animo tudo, empresto humanidade a tudo,
Aos homens e às pedras, às almas e às máquinas,
Para aumentar com isso a minha personalidade.

Pertenço a tudo para pertencer cada vez mais a mim próprio
E a minha ambição era trazer o universo ao colo
Como uma criança a quem a ama beija.
Eu amo todas as coisas, umas mais do que as outras,
Não nenhuma mais do que outra, mas sempre mais as que estou vendo
Do que as que vi ou verei.
Nada para mim é tão belo como o movimento e as sensações.
A vida é uma grande feira e tudo são barracas e saltimbancos.
Penso nisto, enterneço-me mas não sossego nunca.

Álvaro de Campos

quinta-feira, 5 de maio de 2011

é só saudade


da nossa cumplicidade. dos olhares que desvendavam e não desses que parecem perfurar.
dos silêncios que confortavam e não desses incômodos que precisam ser preenchidos com qualquer assunto banal.
das nossas conversas despretensiosas que eram esquecidas no minuto seguinte, e não dessa mania que adquirimos de remoer cada palavrinha dita.
do futuro ser quase palpável.
de me sentir completa mesmo sem estar fisicamente ao seu lado.
de me sentir completa e absurdamente feliz quando no seu abraço.
de não existir dúvida quando nossos peitos estavam próximos.
é só saudade... e dói tanto...











(e saudade não é amor. continuo cansada.)



quarta-feira, 4 de maio de 2011

EUSpelho - Curta para o Festival Curta a Vida 2009




a morte às vezes é mais desejo que medo.
a noite, tortura sem fim. espinhos entre o 'não' e o 'sim'.
me resta a dor, a fé e o suor.
espero as férias, a cura.
pra mim a esperança não ressuscitou no terceiro dia.
e minha maior dúvida é que, se eu conseguir dormir,
quando eu acordar em que pólo vou estar?



segunda-feira, 2 de maio de 2011

eu não quero mais falar de amor.







(não é revolta, não. é só cansaço)

domingo, 1 de maio de 2011

nostalgia

algumas vezes eu ando por aí com fones de ouvido que não tocam música alguma. só quero me ausentar do barulho que o mundo faz - é demais pra mim. a razão de não ouvir nenhuma canção é por não querer sentir o que elas trazem consigo. cada uma delas têm seu peso, suas dores, suas alegrias, suas lágrimas, suas esperanças, seus jardins.
prefiro o silêncio.
foi então que hoje as músicas foram tocando aleatoriamente enquanto eu conversava com pessoas queridas. algumas mexeram tanto comigo que não consegui fugir. e quando tocou uma em especial (e não, eu não preciso dizer qual é, ela jamais terá para ninguém o som que tem pra mim) as lágrimas saíram de tão profundamente que doeram. e eu também sorri.
que saibamos o momento de sentir saudade. s-a-u-d-a-d-e. do primeiro namorado que dava presentes que mandava a irmã escolher, por tanto medo de errar. dos amigos que sentavam na calçada pra tocar violão e rir noite a dentro. das viagens impensadas e incríveis. do conviver diário com o crescimento dos irmãos. do animal de estimação que deu e recebeu mais amor que qualquer outra pessoa que passou pela sua vida. do carinho excessivo de um pai com muito amor e muita falta de jeito. do amor destrambelhado de uma mãe tão perdida quanto você. da primeira mudança capilar radical e a ansiedade pela aprovação alheia. de ter tantas certezas e tão poucas ameaças reais. dos castelos de areia parecerem mais sólidos. da professora que não te ensinou a matéria do colégio, mas te salvou de alguma (ou qualquer) maneira. de avós lindos, lindos. de primos com tanta vida nos olhos e tanto chão pela frente. de recostar-se no peito de quem amava e ter certeza que nenhum mal poderia te atingir - nem longe dali. de ter certeza que o amor (e talvez só amor) salva. de crer em deus e em todas as maravilhas que ouviu dizer que ele é capaz. de acreditar que ainda tem uma vida toda pela frente.
e que saibamos, principalmente, deixar a saudade ir embora... com tudo o que ela traz.

inquietude

minha irmã bordava e eu acompanhava com os olhos. inquietos, como minhas mãos. gesticulavam muito enquanto eu contava um caso atrás do outro, assuntos mil sem nunca ter fim.
eu precisava de repouso. sabia disso tão bem quanto também sabia que não conseguiria tê-lo. os pensamentos são velozes demais, não se aquietam, não dão sossego.
pensava em bordar, mas se caso não conseguisse colocar a linha na agulha de primeira tentativa, certamente enfiaria a agulha no dedo, a quebraria ou gritaria mil palavrões como se pudesse ofendê-la. perdia a razão, logo eu, veja só, a pessoa que mais se obriga a ser racional que já conheci em toda minha vida.
era capaz que eu acreditasse que minha agulha se entortou de propósito, só pra que eu não conseguisse fazer o que havia planejado para aquela tarde. que ela queria me envergonhar, me fazer passar por tapada na frente da minha irmã. e então eu ficaria ainda mais irada com a pobre e não restaria nem um pedacinho pra contar história na caixinha dos bordados.

quando meu irmão namorava a Magá (que hoje é das minhas melhores amigas) costumávamos passar o domingo juntos, toda a família reunida na casa da minha mãe. almoçávamos, comíamos alguma sobremesa deliciosa que a cunhada preparava e depois conversávamos e ríamos o resto do dia deitados na cama grande e espaçosa.
algumas vezes eu não me calava, não deixava mais ninguém falar. perdia a noção completamente. emendava um assunto no outro e geralmente eles não tinham ligação nenhuma. freud, dificuldade de aprendizado, psicopatas, os erros do meu pai, as coisas que meus irmãos e eu aprontávamos quando mais novos, medos, planos futuros, o assunto do momento na televisão... uma coisa logo se encaixava na outra e não tinha espaço pra mais ninguém opinar.
"era cansativo", a Magá me disse uma vez, "eu ficava pensando o que estava acontecendo com você, se era possível que ninguém reparava que algo estava errado, não era normal alguém ficar daquele jeito, você não conseguia desligar, não parava de falar e se movimentar, tinha idéias malucas e ninguém conseguia acompanhar seu raciocínio. eu achava que era uma depressão diferente. sabia que tinha algo errado ali".

não gosto de gritos. minha educação foi feita na base da conversa (sim, podem acreditar).
a Mel insistiu três vezes que eu estava com fome, agorinha a pouco.
CA-RA-LHO, ME DEIXA EM PAZ, QUER SABER ATÉ A HORA QUE EU TÔ COM FOME? VAI TOMAR NO CU. foi assim que eu respondi.




ando raivosa. inquieta. geniosa, teimosa. agitada. im-pul-si-va.
estou perdendo a razão novamente e acredito que seja só um efeito colateral.
o problema todo é que eu não quero parar. é melhor assim. tudo muito intenso... muito eu, muito meu. só meu.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

me lembro de no meio de brigas familiares me perguntarem "o que você está pensando da vida?" e do quanto eu achava aquela pergunta patética. a vida lá era pra ser pensada? a vida é pra ser vivida, meus senhores, até o último minuto. vocês não lêem, não? não escutam samba, mpb, rock? que mundo é esse onde vocês vivem e a vida precisa ser pensada?
e quantas vezes me perguntavam também "o que é que você quer da vida, Ana Paula?". essa pergunta sim me instigava. sou das querências, algo eu havia de querer da vida também, óbvio. não achava resposta, e como para todas as coisas que eu não tinha solução, eu as inventava. felicidade-sucesso-amor-carinho-respeito-sossego-inspiração. mas nesse mundo de certezas e respostas coisas abstratas não são toleradas. e então eu inventava ainda mais fundo: um trabalho que me dê muito dinheiro, uma casa enorme, um carro caro, uma moto mesmo eu não gostando e não sabendo pilotar, escola particular e renomada para meus filhos, um marido bonito e com status, ser magra e bonita para sempre, invejada pela minha inteligência e sagacidade.
a minha real vontade era só uma: fugir. de mim, deles, do mundo.
e só o tempo - tão desleal comigo, ah, o tempo - me mostrou que a pergunta que importa de verdade é "o que a vida quer de mim?". ela me quis com muitos medos e muita coragem. com muitos problemas e muita força. me quis frágil algumas vezes, me mostrou que há mais heroísmo em levantar de uma queda ao chão que em alçar vôo.
a vida me quis sozinha, dos silêncios e dos ecos. das descobertas sombrias. mais dos dramas que das comédias. e que se há de fazer? me fizemos - ela e eu - assim.
a vida esperou de mim decisões firmes e passos largos e nem sempre pude atendê-la. quando pude fui aplaudida de pé pela única platéia que realmente importa: minha consciência. me quis com colo quente e ouvidos macios, com fala aveludada que acalenta os desolados, com um instinto materno e protetor incontrolável.
me quis de desejos ferozes e insaciáveis. de teimosias e argumentações intermináveis. de pulso firme, porém de cabeça aberta.
a vida fez de mim uma pessoa fiel às suas vontades e crenças, e à nada mais.
não importou o que eu quisesse da vida: hoje não há marido com status ou carro importado que sacie minha sede. e fugir não adianta mais.
meu destino é encarar, é enfrentar, persistir.
e se amanhã a minha vida mudar de idéia, não há nada que eu possa fazer senão obedecê-la e seguir.

"Projeções: e amanhã, e depois? E trabalho, amor, moradia? O que vai acontecer? Típico pensamento-nada-a-ver: sossega, o que vai acontecer acontecerá.
Relaxa, baby, e flui: barquinho na correnteza, Deus dará.
A questão é toda essa: fluir. Tão difícil deixar fluir. Mas é o que precisa ser feito agora. Virar barquinho, mesmo. Relaxar e observar o caminho, a paisagem, perceber minha respiração sempre tão junta da respiração do meu pequenino. E assim vamos fluindo, juntos. Correnteza leve, por favor. Que não estamos assim muito prontos pra grandes tormentas. Tá tudo bem na verdade. É só uma questão de se encontrar. Porque às vezes eu me perco e fico me procurando, e não me acho. Mas quem sabe assim, deixando que a água vá me levando, não dá certo, né? Deus dará..."
(Caio Fernando Abreu)
"Atravessarás o dia fazendo coisas como tirar a poeira de livros antigos e velhos discos, como se não houvesse nada mais importante a fazer. E caminharás devagar pela casa, molhando as plantas e abrindo janelas para que sopre esse vento que deve levar embora memórias e cansaços. Contarás nos dedos os dias que faltam para que termine o ano, não são muitos, pensarás com alívio. E morbidamente talvez enumeres todas as vezes que a loucura, a morte, a fome, a doença, a violência e o desespero roçaram teus ombros e os de teus amigos. Serão tantas que desistirás de contar. Então fingirás - aplicadamente, fingirás acreditar que no próximo ano tudo será diferente, que as coisas sempre se renovam. Embora saibas que há perdas realmente irreparáveis e que um braço amputado jamais se reconstituirá sozinho."
(Caio Fernando Abreu)

quinta-feira, 28 de abril de 2011

das conversas de hoje

- ficou ótima a tabela de humores que você fez, só queria acrescentar algumas coisas no humor "normal", você pode fazer isso, por favor?
- sim.
- responsável, defensora dos necessitados, não é apegada à matéria ou dinheiro, dá o real valor que as coisas têm, não é mesquinha ou avarenta, é corajosa e enfrenta seus medos.
eu só conseguia pensar "eu? euzinha? tá falando de mim mesmo? tem certeza?". mas a psicóloga é ela, então... ok.



~~~



- as pessoas costumam recuar diante dos próprios medos, costumam evitá-los o máximo possível. você não, Aninha, você encara e ainda debocha. mesmo tremendo você vai lá e resolve. sofre mas sai por cima. posso te dar vários exemplos, mas sei que agora você mesma tá aí lembrando de muita coisa. isso assusta porque é um ideal que a gente custa a alcançar. e você já veio pronta, olha só.








segunda-feira, 18 de abril de 2011

o último a saber

Junior diz:
hoje brindaremos a nossa incapacidade de nos enquadrar nesse mundo






Ando pelas ruas
Meus sapatos gostam do asfalto
Tenho as mãos geladas
No meu bolso levo teu nome no verso
Atravesso a noite
A manhã se esfrega nos meus olhos
Danço em falso
Como se fosse o último saber de mim
Tudo vai mudar

depressão parte mil

todo mundo parece tão cheio de certezas. sabem qual caminho seguir, qual escolha fazer, exatamente quem querem seguindo ao seu lado...
e eu nunca sei nada disso. nunca tenho certeza de nada. só deixo as coisas acontecerem, vou me guiando pelo o que sinto e quebrando a cara vez sim, vez também. decepciono a maioria das pessoas que amo, afinal minhas escolhas sempre soam tão erradas pra elas...

queria que fosse tudo mais leve. que fosse menos dolorido.
sinto um peso imenso nos ombros, nas pálpebras. um aperto no peito, um sufoco. repito pra mim "preciso de férias" e aí logo penso "mas férias de que?". não estou trabalhando nem estudando, não tenho nenhuma obrigação no momento, e ainda assim tudo me é muito difícil.
abrir os olhos toda manhã e ter um novo dia para encarar... tão sofrido.

às vezes tenho tanta inveja de todo mundo. de conseguir viver, simplesmente isso: viver. conseguir sair e se divertir com os amigos, sem pretensão de nada, sem travas. demonstrar o que sente com um medo comum de julgamento, mas sem abandonos reais e irremediáveis. atender os telefonemas que são necessários e os que nem são tanto assim. ter ânimo pra ver tudo de novos ângulos. ter dias tristes e felizes, não viver entre depressões e euforias. de não precisar de remédios fortes e caros pelo resto da vida. de não carregar um estigma involuntário. de não precisar de mais que umas sessõezinhas de análise, e não uma vida toda de acompanhamento. de não ter que se adaptar à uma doença, e ainda assim escutar o tempo inteiro que é "falta de deus", "exagero", "falta de serviço", "cabeça vazia"...

se essas pessoas que acham legal falar "acordei meio bipolar", "estou bipolar", "acho que sou bipolar", "minhas escolhas são bipolares demais", etc etc, tivessem noção do que é viver com isso... se elas vivenciassem um décimo de uma depressão que toma conta de 3/4 da vida do bipolar... se elas virassem cobaia de remédios e dosagens, encarando médicos frios e hospitais estranhos... se tivessem que conviver com a falta de informação e o preconceito da própria família e amigos... se soubessem que 20% dos bipolares cometem suicídio DE VERDADE - não ficar ameaçando via tweet ou qualquer coisa que o valha... ahhh se elas soubessem como é sofrido ter uma doença mental e conviver com isso todos os dias da sua vida... com certeza não sonhariam em desejar, nem em tom de brincadeira, uma coisa dessas...

tudo tem sido muito pesado e cansativo.
e eu só queria ter coragem de escolher desistir.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

...

"Sou composta por urgências: minhas alegrias são intensas, minhas tristezas, absolutas. Me entupo de ausências, me esvazio de excessos. Eu não caibo no estreito, eu só vivo nos extremos. Eu caminho, desequilibrada, em cima de uma linha tênue entre a lucidez e a loucura. De ter amigos eu gosto porque preciso de ajuda pra sentir, embora quem se relacione comigo saiba que é por conta-própria e auto-risco. O que tenho de mais obscuro, é o que me ilumina. E a minha lucidez é que é perigosa."
(Clarice Lispector)



domingo, 3 de abril de 2011

meme 2

1) Humor de hoje: meio irritada, meio desanimada
2) Fez algo divertido nesse fim de semana? sim! meu sábado foi super divertido (rodada tripla de caipi de kiwi ♥) e meu domingo foi delícia na casa da minha mãe.
3) Cor de esmalte atual: metal glam + na mira 3D
4) Qual último livro legal que leu? não sou uma só: diário de uma bipolar
5) Roupa do dia: shorts jeans, camiseta rosa antigo com babadinhos no decote, rasteirinha com tachas.
6) Quais são seus melhores planos para esse mês de abril? terminar de me estabilizar, eu acho
7) Você pinta seu cabelo, se sim, que tintura usa? fazia mechas californianas, agora sei lá o que vou fazer
8) Você toma decisões por impulso, ou sempre analisa tudo? preciso mesmo responder?
9) Planos para essa semana: encontrar as amigas do antigo trabalho ♥, fazer umas comprinhas, fazer teste de maquiagem numa noiva, dar banho na Chérie, ver minha irmã, fazer caminhada, assistir Dexter
10) O que você queria agora? dinheiro

sexta-feira, 1 de abril de 2011

que falta você faz aqui me acalmando, Capitu.
tudo que eu queria era o seu abraço cheio de amor agora.




saudade imensa e eterna.