sexta-feira, 29 de abril de 2011

"Projeções: e amanhã, e depois? E trabalho, amor, moradia? O que vai acontecer? Típico pensamento-nada-a-ver: sossega, o que vai acontecer acontecerá.
Relaxa, baby, e flui: barquinho na correnteza, Deus dará.
A questão é toda essa: fluir. Tão difícil deixar fluir. Mas é o que precisa ser feito agora. Virar barquinho, mesmo. Relaxar e observar o caminho, a paisagem, perceber minha respiração sempre tão junta da respiração do meu pequenino. E assim vamos fluindo, juntos. Correnteza leve, por favor. Que não estamos assim muito prontos pra grandes tormentas. Tá tudo bem na verdade. É só uma questão de se encontrar. Porque às vezes eu me perco e fico me procurando, e não me acho. Mas quem sabe assim, deixando que a água vá me levando, não dá certo, né? Deus dará..."
(Caio Fernando Abreu)
"Atravessarás o dia fazendo coisas como tirar a poeira de livros antigos e velhos discos, como se não houvesse nada mais importante a fazer. E caminharás devagar pela casa, molhando as plantas e abrindo janelas para que sopre esse vento que deve levar embora memórias e cansaços. Contarás nos dedos os dias que faltam para que termine o ano, não são muitos, pensarás com alívio. E morbidamente talvez enumeres todas as vezes que a loucura, a morte, a fome, a doença, a violência e o desespero roçaram teus ombros e os de teus amigos. Serão tantas que desistirás de contar. Então fingirás - aplicadamente, fingirás acreditar que no próximo ano tudo será diferente, que as coisas sempre se renovam. Embora saibas que há perdas realmente irreparáveis e que um braço amputado jamais se reconstituirá sozinho."
(Caio Fernando Abreu)

quinta-feira, 28 de abril de 2011

das conversas de hoje

- ficou ótima a tabela de humores que você fez, só queria acrescentar algumas coisas no humor "normal", você pode fazer isso, por favor?
- sim.
- responsável, defensora dos necessitados, não é apegada à matéria ou dinheiro, dá o real valor que as coisas têm, não é mesquinha ou avarenta, é corajosa e enfrenta seus medos.
eu só conseguia pensar "eu? euzinha? tá falando de mim mesmo? tem certeza?". mas a psicóloga é ela, então... ok.



~~~



- as pessoas costumam recuar diante dos próprios medos, costumam evitá-los o máximo possível. você não, Aninha, você encara e ainda debocha. mesmo tremendo você vai lá e resolve. sofre mas sai por cima. posso te dar vários exemplos, mas sei que agora você mesma tá aí lembrando de muita coisa. isso assusta porque é um ideal que a gente custa a alcançar. e você já veio pronta, olha só.








segunda-feira, 18 de abril de 2011

o último a saber

Junior diz:
hoje brindaremos a nossa incapacidade de nos enquadrar nesse mundo






Ando pelas ruas
Meus sapatos gostam do asfalto
Tenho as mãos geladas
No meu bolso levo teu nome no verso
Atravesso a noite
A manhã se esfrega nos meus olhos
Danço em falso
Como se fosse o último saber de mim
Tudo vai mudar

depressão parte mil

todo mundo parece tão cheio de certezas. sabem qual caminho seguir, qual escolha fazer, exatamente quem querem seguindo ao seu lado...
e eu nunca sei nada disso. nunca tenho certeza de nada. só deixo as coisas acontecerem, vou me guiando pelo o que sinto e quebrando a cara vez sim, vez também. decepciono a maioria das pessoas que amo, afinal minhas escolhas sempre soam tão erradas pra elas...

queria que fosse tudo mais leve. que fosse menos dolorido.
sinto um peso imenso nos ombros, nas pálpebras. um aperto no peito, um sufoco. repito pra mim "preciso de férias" e aí logo penso "mas férias de que?". não estou trabalhando nem estudando, não tenho nenhuma obrigação no momento, e ainda assim tudo me é muito difícil.
abrir os olhos toda manhã e ter um novo dia para encarar... tão sofrido.

às vezes tenho tanta inveja de todo mundo. de conseguir viver, simplesmente isso: viver. conseguir sair e se divertir com os amigos, sem pretensão de nada, sem travas. demonstrar o que sente com um medo comum de julgamento, mas sem abandonos reais e irremediáveis. atender os telefonemas que são necessários e os que nem são tanto assim. ter ânimo pra ver tudo de novos ângulos. ter dias tristes e felizes, não viver entre depressões e euforias. de não precisar de remédios fortes e caros pelo resto da vida. de não carregar um estigma involuntário. de não precisar de mais que umas sessõezinhas de análise, e não uma vida toda de acompanhamento. de não ter que se adaptar à uma doença, e ainda assim escutar o tempo inteiro que é "falta de deus", "exagero", "falta de serviço", "cabeça vazia"...

se essas pessoas que acham legal falar "acordei meio bipolar", "estou bipolar", "acho que sou bipolar", "minhas escolhas são bipolares demais", etc etc, tivessem noção do que é viver com isso... se elas vivenciassem um décimo de uma depressão que toma conta de 3/4 da vida do bipolar... se elas virassem cobaia de remédios e dosagens, encarando médicos frios e hospitais estranhos... se tivessem que conviver com a falta de informação e o preconceito da própria família e amigos... se soubessem que 20% dos bipolares cometem suicídio DE VERDADE - não ficar ameaçando via tweet ou qualquer coisa que o valha... ahhh se elas soubessem como é sofrido ter uma doença mental e conviver com isso todos os dias da sua vida... com certeza não sonhariam em desejar, nem em tom de brincadeira, uma coisa dessas...

tudo tem sido muito pesado e cansativo.
e eu só queria ter coragem de escolher desistir.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

...

"Sou composta por urgências: minhas alegrias são intensas, minhas tristezas, absolutas. Me entupo de ausências, me esvazio de excessos. Eu não caibo no estreito, eu só vivo nos extremos. Eu caminho, desequilibrada, em cima de uma linha tênue entre a lucidez e a loucura. De ter amigos eu gosto porque preciso de ajuda pra sentir, embora quem se relacione comigo saiba que é por conta-própria e auto-risco. O que tenho de mais obscuro, é o que me ilumina. E a minha lucidez é que é perigosa."
(Clarice Lispector)



domingo, 3 de abril de 2011

meme 2

1) Humor de hoje: meio irritada, meio desanimada
2) Fez algo divertido nesse fim de semana? sim! meu sábado foi super divertido (rodada tripla de caipi de kiwi ♥) e meu domingo foi delícia na casa da minha mãe.
3) Cor de esmalte atual: metal glam + na mira 3D
4) Qual último livro legal que leu? não sou uma só: diário de uma bipolar
5) Roupa do dia: shorts jeans, camiseta rosa antigo com babadinhos no decote, rasteirinha com tachas.
6) Quais são seus melhores planos para esse mês de abril? terminar de me estabilizar, eu acho
7) Você pinta seu cabelo, se sim, que tintura usa? fazia mechas californianas, agora sei lá o que vou fazer
8) Você toma decisões por impulso, ou sempre analisa tudo? preciso mesmo responder?
9) Planos para essa semana: encontrar as amigas do antigo trabalho ♥, fazer umas comprinhas, fazer teste de maquiagem numa noiva, dar banho na Chérie, ver minha irmã, fazer caminhada, assistir Dexter
10) O que você queria agora? dinheiro

sexta-feira, 1 de abril de 2011

que falta você faz aqui me acalmando, Capitu.
tudo que eu queria era o seu abraço cheio de amor agora.




saudade imensa e eterna.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Junior diz:
não se preocupe, dear. você vai ver que não precisamos de certezas.
às vezes eu acho que já conheci e perdi o amor da minha vida.
e tudo isso antes dos 20 anos.










uau, como eu sou cagada.




hoje eu escutei 'you' no evanescence sem querer.
já pedi pra não lembrar e também já pedi pra não esquecer. do rosto, do cheiro, do beijo, do toque, da voz, da risada, das palavras, das promessas, dos planos, da rotina, das brigas, de tudo.
não guardo mais nada. só as cartas que nunca mais tive coragem de ler.



nos vemos na próxima vida. se cuide até lá, combinado?

anna begins

é um ciclo. eu sei como funciona, já se repetiu tantas vezes. flashes de memória, nó na garganta, uma vontade de fugir, de que não fosse assim, de que também não fosse entediantemente estável.
tem a depressão, "a dor em estado bruto". apatia, lágrimas incontroláveis, sufoco, o mundo que corre num ritmo que não posso acompanhar, o abandono de tudo que me é importante por simplesmente não ter condição nenhuma de continuar. tanto tempo útil e eu aqui, inútil. a falta de esperança, e completa falta de vontade. dormir ao amanhecer pra desfrutar do silêncio da noite. muito sono durante a claridade e as oportunidades do dia. tanta culpa, tanta culpa.
e um dia eu consigo lavar louça. no outro atender o telefone. um fim-de-semana faço as unhas e me sinto menos feia. no outro saio e bebo um pouco, mesmo sem vontade. começo a procurar um outro emprego com muito medo de não dar conta. entro em um novo relacionamento como se ele pudesse me salvar da miséria de ser eu. faço planos, listas, engordo mais alguns quilos.
estabilidade. com todo o tédio e o desânimo possíveis. o tempo... tão cruel comigo. sei que logo ele acaba, que vem o furacão e leva tudo com ele, o tempo não me espera. e eu não o acompanho. sempre ficando pra trás, parada ou correndo na frente. nunca no ritmo certo.
oito horas dormidas por noite, bem bonitinho. preguiça. e medo, muito medo.
tanta vontade e tão pouca força.
emprego novo, pessoas legais, estou vendo com outros olhos ou o mundo ficou mesmo diferente? mais possibilidades de relacionamentos, alimento todas elas. emagreço, pinto e corto o cabelo, só uso decotes, o que é bonito é pra se mostrar. unhas vermelhas, maquiagem bem feita, rebolado diário.
impulsos. de ira, de gula, de sexo, de pavor, de amor, de vontades.
urgências.
o tempo voa e não espera, já disse, preciso correr. tenho tantas idéias, a cabeça à mil, se não anotar vou esquecer, mas esqueço sempre de anotar.
é tão bom seduzir. o mundo aos meus pés. e então eu piso.
bebedeiras, noitadas, hedonismo é a melhor coisa que existe, você não acha? o prazer em seu estado bruto, ah, essa euforia. ah, essas cores. ah, dormir pra que? perde-se tanto tempo. e eu não aceito perder. NADA! tudo é meu. eu sou tudo. salvo, protejo, cuido, nada de mau pode me acontecer, eu sou maior que todas as coisas e todas as coisas são tão miúdas e solucionáveis.
sem sono, sem fome, só tenho desejos. por eles, elas, garrafas, barulhos, sons, gemidos, cheiros, novidades, quanto mais melhor, sempre. e a sensação de que vou explodir. em breve tudo explode. em breve a escuridão vai vir, tá tudo claro demais, vai me cegar, eu sei.
respiro fundo. e ando no telhado do 14º andar como se pudesse voar. me meto em briga com um homem de 2m de altura porque ninguém pode comigo. e no mesmo dia prometo me matar. um dia, me acredite, um dia eu vou. isso aqui não vale de nada. eu vou explodir. vou ficar cega.
busco um colo que ninguém dá. um colo que ninguém daria, porque não existe.
minha cabeça tão boa já não memoriza nada, não se concentra, não se suporta. "tá tudo ficando diferente, eu sei", digo na terapia. "vai acontecer de novo". e acontece.
a escuridão completa. dói fundo.



no momento estou medicada. o topiramato acabou hoje, a bupropiona ainda tem pra 10 dias. psiquiatra só daqui à 18 dias. minha psicóloga pediu que, por favor, eu fosse até o hospital e ficasse esperando até ele me dar uma receita, é meu direito, minha necessidade.
e eu não quero. é ridículo, mas não quero. não sei nem o por que.
a esperança é que venha a euforia, as cores, a produtividade, a alegria inexplicável. e se não for, que venha a desistência tão grande a ponto de dar coragem.
isso tudo cansa tanto.

sou

hoje é dia de

cantar bem-me-leve e fechar os olhos sem perceber.




perfume atrás da orelha
vestido bem vestido
um sorriso no rosto
um punhado de amigos
que é pra se acaso eu te encontrar um dia
tu ver como eu ainda tô bonita
ou mais ainda
mais ainda
ou mais ainda
ainda mais bonita

- vou tentar recompor teu rosto sem conseguir.

(o dia em que jupiter encontrou saturno - Caio Fernando Abreu)


a casa sem nada fora do lugar, mas não arrumada. a tv ligada, o notebook em cima da cama grande com lençol claro, a cadeira do lado da cama onde vou jogar minha bolsa. o meu chinelo tamanho 36 cor-de-rosa embaixo da cadeira.
a sua preguiça e o seu sorriso.
o meu cansaço e a minha esperança. a sua tentativa e o seu abandono.
a internet 3g no meu celular e mensagens pedindo socorro pra alguma amiga tão desesperada quanto eu.
o copo com a bebida doce que você preparou. a embriaguez que não chega. mas fingimos, por que não?
poucos beijos, muitas mãos, pouco desejo, muito exagero.
não tem mais rosto, nem cheiro, nem toque. não tem mais saudade.
um pedaço desbotado de lembrança.
tão poucos olhares sinceros... mas tão bonitos, tão vivos.


e entre mentiras, hipérboles, esperanças e afagos... só ficou o fim.

sábado, 26 de março de 2011

das (nossas) coisas lindas



- eu queria namorar com você desde pequena.

quinta-feira, 24 de março de 2011

ser e estar

- a gente não É, a gente ESTÁ. - disse a psicóloga paciente com roupas de moça meiga
- sim, e eu acostumei a estar sempre instável.
- mas o nosso objetivo não é a estabilidade? você nunca esteve tão perto dela quanto agora.


é. a tal da estabilidade tão procurada por mim está cada vez mais duradoura e real.

e estar estável é:









boring.



domingo, 20 de março de 2011

fofurices

estava brincando com a Monique, de 1 ano e 3 meses, de apontar os lugares do corpo e ela responder o nome certo.
apontei os olhos:
- como chama isso?
- olio
- e isso?
- naliz
- isso?
- boca
- você é muito inteligente! agora uma bem difícil... como chama isso?
- dente!
de tão fofo, apertei as bochechas e perguntei:
- e isso, como chama?
- chama "dói".

hahahahaha lindeza ♥

quinta-feira, 17 de março de 2011

quase nada